31/05/2026

CFOP 1107 existe? Entenda o código correto para entrada de nota fiscal

CFOP 1107 existe? Entenda o código correto para entrada de nota fiscal

CFOP 1107: entenda se o código existe e qual CFOP usar na entrada

O CFOP 1107 costuma gerar dúvidas porque alguns contribuintes tentam criar uma correspondência automática entre códigos de saída e códigos de entrada. Porém, antes de lançar uma nota com esse código, é preciso atenção: o CFOP 1.107 não aparece como código vigente de entrada na tabela oficial consultada.

Resposta rápida: o CFOP 1107 não deve ser usado automaticamente na entrada de uma nota fiscal. O correto é analisar a finalidade da mercadoria no estabelecimento comprador, como comercialização, industrialização, uso e consumo, ativo imobilizado ou outra natureza fiscal.

Neste guia, você vai entender se o CFOP 1107 existe, por que ele causa confusão, qual CFOP analisar na entrada, exemplos práticos, checklist fiscal, erros comuns e perguntas frequentes.

Sumário

CFOP 1107 existe?

O CFOP 1107 não deve ser tratado como um código de entrada válido apenas pela lógica numérica. Na tabela oficial consultada, a sequência de vendas internas apresenta códigos como 5101, 5102, 5103, 5104, 5105 e 5106, mas não apresenta o 5107 nessa sequência. Também não há indicação de que o 1107 seja um equivalente automático para entrada.

A dúvida normalmente surge porque códigos iniciados por 1 representam entradas internas, enquanto códigos iniciados por 5 representam saídas internas. No entanto, nem todo número iniciado por 5 possui um equivalente direto iniciado por 1.

Ponto importante: o CFOP de entrada deve representar a finalidade da mercadoria para quem está recebendo a nota fiscal. Não basta copiar ou adaptar o CFOP usado pelo fornecedor.

Por que existe confusão com o CFOP 1107?

A confusão acontece porque muitos sistemas fiscais e usuários tentam transformar CFOPs de saída em CFOPs de entrada apenas trocando o primeiro dígito.

Esse raciocínio pode funcionar em alguns casos, mas não é uma regra segura. A tabela CFOP possui códigos específicos para cada natureza fiscal, e a entrada deve ser classificada conforme o destino da mercadoria no estabelecimento destinatário.

Por isso, ao receber uma nota fiscal, o comprador precisa verificar a finalidade real da entrada:

  • Revenda: quando a mercadoria será comercializada posteriormente.
  • Industrialização: quando a mercadoria será usada como matéria-prima, insumo ou item produtivo.
  • Uso e consumo: quando o item será consumido internamente.
  • Ativo imobilizado: quando o item será incorporado ao patrimônio da empresa.
  • Outra natureza: quando envolver remessa, devolução, retorno, bonificação, consignação ou operação específica.

Relação com vendas destinadas a não contribuinte

Uma parte da confusão ocorre porque existem CFOPs de venda destinados a não contribuinte, especialmente em operações interestaduais, como os códigos da série 6.xxx.

Porém, para o destinatário que recebe a mercadoria, a entrada não deve ser definida apenas pela condição de contribuinte ou não contribuinte informada pelo vendedor. O fator principal na escrituração da entrada continua sendo a finalidade da mercadoria para a empresa compradora.

Regra prática: se a sua empresa recebeu uma mercadoria, primeiro defina se ela será revendida, industrializada, consumida ou imobilizada. Depois, escolha o CFOP de entrada compatível.

Qual CFOP usar no lugar do 1107?

Não existe um substituto único para o CFOP 1107. O código correto depende da finalidade da entrada e da UF da operação.

Finalidade da entrada CFOP interno a analisar Quando pode ser usado
Industrialização ou produção rural 1101 Quando a mercadoria comprada será usada como matéria-prima, insumo ou item produtivo.
Comercialização 1102 Quando a mercadoria comprada será revendida pelo estabelecimento comprador.
Ativo imobilizado 1551 Quando o item comprado será incorporado ao patrimônio da empresa.
Uso ou consumo 1556 Quando a mercadoria será usada ou consumida internamente pela empresa.
Outra natureza fiscal Depende da operação Bonificação, devolução, retorno, consignação, remessa, transferência ou venda à ordem exigem análise específica.

Se o fornecedor estiver localizado em outro estado, a análise normalmente muda para códigos da série 2.xxx, como 2101, 2102, 2551 ou 2556, conforme a finalidade da entrada.

Exemplos práticos de análise

Veja situações em que o contribuinte pode pensar em usar CFOP 1107, mas deve analisar outro código.

Situação CFOP sugerido para análise Motivo
Loja compra mercadoria de fornecedor do mesmo estado para revender 1102 A finalidade da entrada é comercialização.
Indústria compra mercadoria para usar como insumo de produção 1101 A finalidade da entrada é industrialização ou produção rural.
Empresa compra item para uso administrativo interno 1556 A mercadoria será usada ou consumida internamente.
Empresa compra equipamento para incorporar ao patrimônio 1551 O item pode ser classificado como ativo imobilizado, conforme análise contábil.
Usuário tenta lançar CFOP 1107 por conversão automática de outro CFOP Não recomendado O CFOP de entrada deve ser definido pela finalidade da mercadoria, não por conversão numérica.

Quando não usar CFOP 1107?

O CFOP 1107 não deve ser usado como código genérico de entrada. Se algum ERP sugerir esse código, a operação precisa ser validada com a contabilidade e com a tabela fiscal vigente.

  • Compra para revenda: avalie CFOP 1102, quando aplicável.
  • Compra para produção: avalie CFOP 1101, quando aplicável.
  • Compra para uso interno: avalie CFOP próprio para uso e consumo.
  • Compra de ativo: avalie CFOP próprio para ativo imobilizado.
  • Operação interestadual: se o fornecedor estiver em outro estado, avalie códigos da série 2.xxx.
  • Operação sem compra: remessa, retorno, devolução, bonificação e consignação possuem naturezas próprias.

Diferença entre CFOP 1107, 1101, 1102, 1551 e 1556

A principal diferença está na finalidade da entrada. O CFOP 1107 não deve ser usado por aproximação numérica, enquanto os demais códigos representam finalidades reconhecidas na escrituração fiscal.

CFOP Tipo de operação Quando analisar
1101 Entrada interna Compra para industrialização ou produção rural.
1102 Entrada interna Compra para comercialização.
1551 Entrada interna Compra de bem para o ativo imobilizado.
1556 Entrada interna Compra de material para uso ou consumo.
1107 Não recomendado como conversão automática Não deve ser usado apenas por tentativa de espelhar um CFOP de saída.

Como escriturar uma entrada sem usar CFOP 1107?

Para escriturar corretamente uma entrada, o primeiro passo é entender a operação do ponto de vista do destinatário. O fornecedor informa um CFOP de saída, mas a empresa compradora precisa registrar a entrada conforme a finalidade da mercadoria.

  • Verifique a finalidade: revenda, industrialização, uso e consumo, ativo ou outra natureza.
  • Confira a UF: se fornecedor e comprador estão no mesmo estado, a entrada tende a usar série 1.xxx.
  • Analise o produto: NCM, descrição, quantidade, unidade e cadastro fiscal precisam estar corretos.
  • Revise a tributação: CST, CSOSN, ICMS, PIS, COFINS, crédito fiscal e substituição tributária devem ser avaliados.
  • Valide com a contabilidade: principalmente se o sistema sugerir CFOP 1107 automaticamente.

Checklist antes de lançar a entrada

Validação Pergunta Resultado esperado
Documento recebido A nota fiscal recebida foi analisada pelo ponto de vista do destinatário? Sim
Finalidade da entrada A mercadoria será revendida, industrializada, consumida ou imobilizada? Definir corretamente
CFOP de entrada O código escolhido representa a operação do destinatário? Sim
UF da operação A operação é interna, interestadual ou de importação? Conferir antes de lançar
Tributação CST, CSOSN, ICMS, PIS, COFINS e escrituração foram conferidos? Sim

Exemplo JSON de validação

O exemplo abaixo mostra uma estrutura simples para evitar o uso automático do CFOP 1107 em sistemas fiscais, ERPs ou validadores internos.

{
  "analiseEntrada": {
    "usarCfop1107Automaticamente": false,
    "criterioCorreto": "finalidade_da_mercadoria_no_destinatario"
  },
  "possiveisCfopsEntradaInterna": {
    "industrializacaoOuProducaoRural": "1101",
    "comercializacao": "1102",
    "ativoImobilizado": "1551",
    "usoConsumo": "1556"
  },
  "possiveisCfopsEntradaInterestadual": {
    "industrializacaoOuProducaoRural": "2101",
    "comercializacao": "2102",
    "ativoImobilizado": "2551",
    "usoConsumo": "2556"
  },
  "alerta": "Validar com a contabilidade antes da escrituração"
}

Erros comuns envolvendo CFOP 1107

  • Usar CFOP por aproximação numérica: escolher 1107 apenas porque parece corresponder a um CFOP de saída.
  • Não analisar a finalidade: o destino da mercadoria no comprador define o CFOP de entrada.
  • Copiar o CFOP do fornecedor: o código de saída do emitente não deve ser usado como entrada sem análise.
  • Usar o mesmo CFOP para todas as compras: entradas para revenda, produção, consumo e ativo possuem naturezas diferentes.
  • Ignorar a UF: operação interna, interestadual e importação usam séries diferentes.
  • Não revisar tributação: CFOP não define sozinho CST, CSOSN, ICMS, PIS, COFINS ou crédito fiscal.

Como resolver dúvidas ou inconsistências?

Se houver dúvida sobre CFOP 1107, comece verificando a nota fiscal recebida, a finalidade da mercadoria, a UF da operação e o regime tributário da empresa.

O mais importante é lembrar que o CFOP de entrada deve representar o que sua empresa fará com a mercadoria, e não apenas espelhar a numeração utilizada pelo fornecedor na saída.

Dica prática: antes de lançar qualquer entrada, responda: “essa mercadoria será revendida, industrializada, consumida internamente ou incorporada ao ativo?”. Essa resposta direciona o CFOP correto.

Perguntas frequentes sobre CFOP 1107

O que significa CFOP 1107?

O CFOP 1107 é uma dúvida comum, mas não deve ser usado automaticamente como código de entrada. A classificação correta depende da finalidade da mercadoria no estabelecimento destinatário.

CFOP 1107 é entrada ou saída?

Pela numeração, códigos iniciados por 1 representam entradas internas. Porém, o uso do CFOP 1107 deve ser validado com a tabela fiscal vigente e com a contabilidade.

Posso usar CFOP 1107 para compra de mercadoria?

Não automaticamente. Para compra de mercadoria, avalie a finalidade da entrada. Para revenda, pode ser analisado o CFOP 1102. Para industrialização ou produção rural, pode ser analisado o CFOP 1101.

Qual CFOP usar se a mercadoria for para revenda?

Em operação interna, normalmente se analisa o CFOP 1102, desde que a mercadoria seja destinada à comercialização e a operação esteja coerente com esse enquadramento.

Qual CFOP usar se a mercadoria for para uso e consumo?

Em operação interna, normalmente se analisa o CFOP 1556, quando a mercadoria for destinada a uso ou consumo do estabelecimento.

Qual CFOP usar se a mercadoria for ativo imobilizado?

Em operação interna, normalmente se analisa o CFOP 1551, quando o item comprado será incorporado ao ativo imobilizado da empresa.

O sistema sugeriu CFOP 1107. Posso usar?

Use apenas após validação com a contabilidade e com a tabela CFOP vigente. Sistemas podem manter cadastros antigos ou regras automáticas que não refletem a operação correta.

CFOP define imposto automaticamente?

Não. O CFOP classifica a natureza da operação, mas a tributação depende de NCM, CST, CSOSN, regime tributário, produto, UF, destinatário, finalidade e legislação aplicável.

Conclusão

O CFOP 1107 deve ser tratado com cautela. Ele não deve ser usado como entrada apenas por lógica numérica ou por tentativa de espelhar um CFOP de saída.

O mais seguro é analisar a finalidade da mercadoria no estabelecimento destinatário. Se for revenda, avalie CFOP de compra para comercialização. Se for industrialização ou produção rural, avalie CFOP de compra para industrialização ou produção rural. Para uso, consumo ou ativo, existem códigos próprios.

Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um contador ou especialista tributário. A escolha do CFOP deve considerar tabela vigente, legislação estadual, regime tributário, finalidade da mercadoria, documento recebido e escrituração fiscal da empresa.

Fontes consultadas

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