O CFOP 1108 costuma gerar dúvidas porque muitos contribuintes tentam relacioná-lo automaticamente ao CFOP 6108, usado em venda interestadual de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros destinada a não contribuinte.
Resposta rápida: o CFOP 1108 não deve ser usado automaticamente na entrada apenas porque a nota fiscal do fornecedor veio com CFOP 6108. Na escrituração do destinatário, o correto é analisar a finalidade da mercadoria: comercialização, industrialização, uso e consumo, ativo imobilizado ou outra natureza fiscal.
Neste guia, você vai entender se o CFOP 1108 existe, por que ele é confundido com o CFOP 6108, qual CFOP usar na entrada, exemplos práticos, checklist fiscal, erros comuns e perguntas frequentes.
Sumário
- CFOP 1108 existe?
- Por que existe confusão com o CFOP 1108?
- Relação entre CFOP 6108 e entrada da mercadoria
- Qual CFOP usar no lugar do 1108?
- Exemplos práticos de análise
- Quando não usar CFOP 1108?
- Diferença entre CFOP 6108, 2101, 2102, 2551 e 2556
- Como escriturar nota recebida com CFOP 6108?
- Checklist antes de lançar a entrada
- Exemplo JSON de validação
- Erros comuns envolvendo CFOP 1108
- Perguntas frequentes sobre CFOP 1108
CFOP 1108 existe?
O CFOP 1108 não deve ser tratado como equivalente automático do CFOP 6108. Na tabela fiscal consultada, o CFOP 6.108 existe como código de saída interestadual, mas isso não significa que exista um CFOP 1.108 correspondente para entrada.
A dúvida surge porque códigos iniciados por 6 representam saídas interestaduais, enquanto códigos iniciados por 1 representam entradas internas. Porém, a entrada de uma mercadoria recebida de outro estado normalmente deve ser analisada na série 2.xxx, não na série 1.xxx.
Ponto importante: se a nota fiscal do fornecedor veio com CFOP 6108, a operação é uma saída interestadual do ponto de vista do vendedor. Para o comprador, a entrada deve ser analisada conforme a finalidade da mercadoria e a UF de origem.
Por que existe confusão com o CFOP 1108?
A confusão acontece porque muitos usuários tentam converter o CFOP de saída do fornecedor em CFOP de entrada apenas trocando o primeiro dígito.
Esse raciocínio é perigoso. O CFOP não funciona como uma simples numeração espelhada. Cada código possui uma descrição própria e deve representar a natureza real da operação.
No caso do CFOP 6108, a operação é uma venda interestadual de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, destinada a não contribuinte. Já o comprador ou destinatário precisa avaliar se a mercadoria será usada para revenda, produção, consumo, ativo imobilizado ou outra finalidade.
- Revenda: quando a mercadoria será comercializada posteriormente.
- Industrialização: quando a mercadoria será usada como matéria-prima, insumo ou item produtivo.
- Uso e consumo: quando o item será consumido internamente.
- Ativo imobilizado: quando o item será incorporado ao patrimônio da empresa.
- Outra natureza: quando envolver remessa, retorno, bonificação, devolução, consignação ou operação específica.
Relação entre CFOP 6108 e entrada da mercadoria
O CFOP 6108 é usado pelo fornecedor em uma saída interestadual. Ele indica que o vendedor está vendendo mercadoria adquirida ou recebida de terceiros para destinatário localizado em outro estado e enquadrado como não contribuinte.
Para quem recebe a nota, a entrada não deve ser classificada como CFOP 1108. Se a mercadoria veio de outro estado, a análise normalmente passa pelos códigos da série 2.xxx, conforme a finalidade da entrada.
Por isso, a pergunta principal para o destinatário é: qual será o uso da mercadoria recebida?
Qual CFOP usar no lugar do 1108?
Não existe um substituto único para o CFOP 1108. O código correto depende da finalidade da entrada e da UF da operação.
| Finalidade da entrada | CFOP interestadual a analisar | Quando pode ser usado |
|---|---|---|
| Comercialização | 2102 | Quando a mercadoria comprada de outro estado será revendida pelo estabelecimento comprador. |
| Industrialização ou produção rural | 2101 | Quando a mercadoria comprada de outro estado será usada como matéria-prima, insumo ou item produtivo. |
| Ativo imobilizado | 2551 | Quando o item comprado de outro estado será incorporado ao patrimônio da empresa. |
| Uso ou consumo | 2556 | Quando a mercadoria comprada de outro estado será usada ou consumida internamente. |
| Outra natureza fiscal | Depende da operação | Bonificação, devolução, retorno, consignação, remessa ou transferência exigem análise específica. |
Se a operação for interna, a análise muda para códigos da série 1.xxx, como 1101, 1102, 1551 ou 1556, conforme o caso.
Regra prática: ao receber uma nota com CFOP 6108, não use CFOP 1108. Primeiro confirme a UF de origem e depois escolha o CFOP conforme a finalidade da mercadoria.
Exemplos práticos de análise
Veja situações em que o contribuinte pode pensar em usar CFOP 1108, mas deve analisar outro código.
| Situação | CFOP sugerido para análise | Motivo |
|---|---|---|
| Empresa compra mercadoria de outro estado para revender | 2102 | A finalidade da entrada é comercialização e a origem é interestadual. |
| Indústria compra mercadoria de outro estado para usar como insumo | 2101 | A finalidade da entrada é industrialização ou produção rural. |
| Empresa compra equipamento de outro estado para incorporar ao patrimônio | 2551 | O item pode ser classificado como ativo imobilizado, conforme análise contábil. |
| Empresa compra material de outro estado para uso administrativo interno | 2556 | A mercadoria será usada ou consumida internamente. |
| Usuário tenta lançar CFOP 1108 apenas porque a nota veio com CFOP 6108 | Não recomendado | O CFOP de entrada deve ser definido pela finalidade da mercadoria e pela UF de origem. |
Quando não usar CFOP 1108?
O CFOP 1108 não deve ser usado como código genérico de entrada. Se algum ERP sugerir esse código, a operação precisa ser validada com a contabilidade e com a tabela fiscal vigente.
- Nota recebida com CFOP 6108: não use 1108 automaticamente.
- Compra interestadual para revenda: avalie CFOP 2102, quando aplicável.
- Compra interestadual para produção: avalie CFOP 2101, quando aplicável.
- Compra interestadual para uso interno: avalie CFOP próprio para uso e consumo, como 2556.
- Compra interestadual de ativo: avalie CFOP próprio para ativo imobilizado, como 2551.
- Operação interna: se o fornecedor estiver no mesmo estado, avalie códigos da série 1.xxx.
- Operação sem compra: remessa, retorno, devolução, bonificação e consignação possuem naturezas próprias.
Diferença entre CFOP 6108, 2101, 2102, 2551 e 2556
A principal diferença está no ponto de vista da operação. O CFOP 6108 é usado pelo fornecedor na saída interestadual. Já os códigos de entrada devem ser escolhidos pelo comprador conforme a finalidade da mercadoria.
| CFOP | Tipo de operação | Quando analisar |
|---|---|---|
| 6108 | Saída interestadual | Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros destinada a não contribuinte. |
| 2101 | Entrada interestadual | Compra para industrialização ou produção rural. |
| 2102 | Entrada interestadual | Compra para comercialização. |
| 2551 | Entrada interestadual | Compra de bem para o ativo imobilizado. |
| 2556 | Entrada interestadual | Compra de material para uso ou consumo. |
| 1108 | Não recomendado como conversão automática | Não deve ser usado apenas porque a saída do fornecedor foi classificada como CFOP 6108. |
Como escriturar nota recebida com CFOP 6108?
Para escriturar uma nota recebida com CFOP 6108, o primeiro passo é entender que o fornecedor está informando uma saída interestadual. A empresa destinatária precisa registrar a entrada conforme a finalidade da mercadoria.
- Verifique a finalidade: revenda, industrialização, uso e consumo, ativo ou outra natureza.
- Confira a UF: se fornecedor e comprador estão em estados diferentes, a entrada tende a usar série 2.xxx.
- Analise o produto: NCM, descrição, quantidade, unidade e cadastro fiscal precisam estar corretos.
- Revise a tributação: CST, CSOSN, ICMS, PIS, COFINS, DIFAL, crédito fiscal e substituição tributária devem ser avaliados.
- Confira a condição do destinatário: contribuinte, não contribuinte, consumidor final, empresa ou pessoa física podem alterar a análise.
- Valide com a contabilidade: principalmente se o sistema sugerir CFOP 1108 automaticamente.
Checklist antes de lançar a entrada
| Validação | Pergunta | Resultado esperado |
|---|---|---|
| Documento recebido | A nota do fornecedor veio com CFOP 6108? | Identificar a saída do fornecedor |
| UF da operação | O fornecedor está em outro estado? | Provável série 2.xxx na entrada |
| Finalidade da entrada | A mercadoria será revendida, industrializada, consumida ou imobilizada? | Definir corretamente |
| CFOP de entrada | O código escolhido representa a operação do destinatário? | Sim |
| Tributação | CST, CSOSN, ICMS, DIFAL, PIS, COFINS e escrituração foram conferidos? | Sim |
Exemplo JSON de validação
O exemplo abaixo mostra uma estrutura simples para evitar o uso automático do CFOP 1108 em sistemas fiscais, ERPs ou validadores internos.
{
"documentoRecebido": {
"cfopFornecedor": "6108",
"descricaoFornecedor": "Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros destinada a não contribuinte"
},
"analiseEntrada": {
"usarCfop1108Automaticamente": false,
"criterioCorreto": "finalidade_da_mercadoria_no_destinatario",
"serieProvavel": "2.xxx quando a origem for interestadual"
},
"possiveisCfopsEntradaInterestadual": {
"comercializacao": "2102",
"industrializacaoOuProducaoRural": "2101",
"ativoImobilizado": "2551",
"usoConsumo": "2556"
},
"alerta": "Validar com a contabilidade antes da escrituração"
}
Erros comuns envolvendo CFOP 1108
- Trocar automaticamente 6108 por 1108: essa prática pode gerar escrituração incorreta.
- Usar série 1.xxx em compra interestadual: entradas vindas de outro estado normalmente exigem análise da série 2.xxx.
- Não analisar a finalidade: o destino da mercadoria no comprador define o CFOP de entrada.
- Copiar o CFOP do fornecedor: o código de saída do emitente não deve ser usado como entrada sem análise.
- Ignorar DIFAL ou condição do destinatário: operações interestaduais podem exigir atenção adicional.
- Não revisar tributação: CFOP não define sozinho CST, CSOSN, ICMS, PIS, COFINS ou crédito fiscal.
Como resolver dúvidas ou inconsistências?
Se houver dúvida sobre CFOP 1108, comece verificando a nota recebida, a UF do fornecedor, a finalidade da mercadoria e o regime tributário da empresa.
Caso a nota recebida tenha CFOP 6108, lembre-se de que esse é um CFOP de saída do fornecedor. O CFOP de entrada deve representar o que sua empresa fará com a mercadoria e considerar se a operação é interna ou interestadual.
Dica prática: antes de lançar qualquer entrada, responda: “essa mercadoria veio de outro estado e será revendida, industrializada, consumida internamente ou incorporada ao ativo?”. Essa resposta direciona o CFOP correto.
Perguntas frequentes sobre CFOP 1108
O que significa CFOP 1108?
O CFOP 1108 é uma dúvida comum ligada ao CFOP 6108, mas não deve ser usado automaticamente como entrada apenas pela troca do primeiro dígito.
CFOP 1108 é entrada ou saída?
Pela numeração, códigos iniciados por 1 representam entradas internas. Porém, uma nota recebida com CFOP 6108 normalmente indica operação interestadual, que deve ser analisada na série 2.xxx para entrada, conforme a finalidade da mercadoria.
Recebi nota com CFOP 6108. Devo lançar 1108 na entrada?
Não automaticamente. O CFOP 6108 indica a saída interestadual do fornecedor. A entrada deve ser lançada conforme a finalidade da mercadoria no destinatário e a UF de origem.
Qual CFOP usar para compra de mercadoria recebida com CFOP 6108?
Depende da finalidade. Para revenda, normalmente se analisa CFOP 2102. Para industrialização ou produção rural, analisa-se CFOP 2101. Para uso e consumo ou ativo imobilizado, há códigos próprios.
Qual a diferença entre CFOP 6108 e CFOP 1108?
O CFOP 6108 é um código de saída interestadual usado na venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros destinada a não contribuinte. Já o CFOP de entrada deve ser definido conforme a finalidade da mercadoria pelo destinatário.
O sistema sugeriu CFOP 1108. Posso usar?
Use apenas após validação com a contabilidade e com a tabela CFOP vigente. Sistemas podem manter cadastros antigos ou regras automáticas que não refletem a operação correta.
CFOP 1108 serve para compra interestadual?
Não automaticamente. Em compras interestaduais, normalmente se analisa a série 2.xxx, como 2101, 2102, 2551 ou 2556, conforme a finalidade da entrada.
CFOP define imposto automaticamente?
Não. O CFOP classifica a natureza da operação, mas a tributação depende de NCM, CST, CSOSN, regime tributário, produto, UF, destinatário, finalidade, DIFAL e legislação aplicável.
Conclusão
O CFOP 1108 deve ser tratado com cautela porque normalmente surge como tentativa de espelhar o CFOP 6108 na entrada. Essa conversão automática pode estar incorreta.
O mais seguro é analisar a origem da operação e a finalidade da mercadoria no estabelecimento destinatário. Se a mercadoria veio de outro estado para revenda, avalie CFOP de compra interestadual para comercialização. Se for para industrialização, uso, consumo ou ativo, existem códigos próprios.
Aviso importante: este conteúdo é informativo e não substitui a análise de um contador ou especialista tributário. A escolha do CFOP deve considerar tabela vigente, legislação estadual, regime tributário, finalidade da mercadoria, documento recebido, UF de origem e escrituração fiscal da empresa.
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